Entrevista Para Socorro, Nossa Cidade

Socorro, Nossa Cidade entrevista Marcos Viana da Adventure Bikers

 

SNC: Olá, pessoal. aqui é Benê Leme pelo Socorro Nossa Cidade. Estou entrevistando o “Marcão” (Marcos Viana). Ele é proprietário da Adventure Bikers, no centro de Socorro. Ele está me contando a história dele, falando sobre bicicletas, a intenção dele de melhorar nossa cidade, através do esporte-aventura relacionado a essa área. Então, muito obrigado por nos receber e apresente-se para nós.

 

Marcos Viana: Olá, Benê! Tudo bem? Bem, eu sou o Marcos. Estou aqui em Socorro há 2 anos e meio. Eu sou de São paulo. Era bancário. Trabalhava em um ramo nada a ver. Mas isso aqui, a bike é algo que eu sempre amei na vida. Sempre pedalei, sempre gostei do ramo de bicicletas. Há 6 anos atrás eu tive um “start”: preciso mudar de vida!

São Paulo é um lugar muito estressante, eu trabalhava em banco e eram cobranças em cima de cobranças. Aí eu resolvi partir para outro ramo. Só que o que eu iria fazer? Sou formado na USP, tenho ciência de informação, tecnologia da informação. Tenho um MBA. Mas para o que eu amava não servia. Então eu falei: Não, vou fazer o que eu amo! Eu sempre ouvia: tem que fazer o que a gente gosta, tem que fazer o que a gente ama.

 

SNC: Sim…

 

Marcos Viana: Há 6 anos, no meu MBA inclusive, eu montei um projeto de uma loja de bicicletas. Eu fiz o projeto, mas como eu trabalhava em banco… Tem aquele negócio: a gente   recebe um salário super bom, mas não tem acesso lá. Não vive. A gente ganha esse dinheiro, esse dinheiro fica lá. E, por mais que você queira fazer alguma coisa, não dá. Não é aquilo ainda.

 

SNC: O banco cobra o tempo de você e, então, você não tem tempo para usar.

 

Marcos Viana: Isso! A gente fala que o pessoal ganha dinheiro e, depois, no final da vida, eles gastam todo dinheiro com a saúde.

 

SNC: É… então, a loja aqui é planejada?

 

Marcos Viana: A loja foi planejada há 6 anos, mas o que aconteceu? Eu acabei meu MBA, fina
lizei meu curso, só que eu não coloquei em prática. eu fiquei trabalhando em banco mais uns 4 anos. Aí há uns três anos, eu decidi: preciso fazer o que eu amo! Como eu tenho um amigo em São Paulo e ele tem uma lojinha muito simples mesmo, eu liguei para ele e disse: João, preciso aprender a trabalhar numa loja de Bike. O joão já me conhecia e eu saia do meu almoço, ia almoçar com ele e chegava lá de terno e gravata. Ele dava risada e falava: não vou almoçar com você se não vou passar vergonha! E eu falava: não, vamos sim! (risos)

 

SNC: (risos)

 

Marcos Viana: Então, eu desci pra almoçar com ele, conversei e falei: Cara, eu preciso trabalhar. Aí ele disse: mas eu não posso te pagar. Então eu disse a ele: Eu não quero que envolva dinheiro. Eu estou aqui para aprender. Eu quero aprender com você para poder ter minha loja um dia. Ele falou: pode vir. No começo ele não queria que eu fosse de jeito nenhum! Como eu trabalhava no banco e esse cara trabalhava de sábados e domingos, eu decidi trabalhar em final de semana. Sábado de manhã, eu saia correndo de casa, fazia meu treino, saia do treino e ia para a loja dele. Ficava de sábado a tarde até nove horas da noite trabalhando com ele. Domingo fazia a mesma coisa, só que ele fechava umas quatro ou cinco horas. Fechava um pouco mais cedo. Mas eu adorava! Eu me relizava! Eu não via a hora de chegar o final de semana par trabalhar!

 

SNC: Bom, aí está a receita para ser bem sucedido! (risos)

 

bene e marcos Marcos Viana: O pessoal falava: Cara, você vai trabalhar em final de semana??? Eu falava que não via a hora: tomara que chegue sexta feira logo para eu poder trabalhar. Eu adorava! Então, cheguei na loja e comecei a ter contato com as pessoas. Fiquei nesse esquema mais ou menos uns nove ou dez meses.Foi quando eu resolvi sair do banco. Falei: bem, agora vou dar um ponto final no banco. Houve uma reestruturação e eu aproveitei para entrar nisso, para me mandarem embora. Já tinha um bom tempo de banco. Aí decidi: “Vambora”, vou arriscar! Minha esposa já não queria, falava que não ia dar certo, que eu tinha um salário bom. Bom, eu saí do banco e comecei a trabalhar nesse cara todos os dias. Acabei pegando contato com os fornecedores, com os vendedores. Então comecei a comprar e juntar tudo na minha casa.

 

SNC: As peças desta loja?

 

Marcos Viana: Sim. As peças da loja!

 

SNC: Que coisa incrível!

 

Marcos Viana: E Socorro? Como é que veio Socorro na minha cabeça? Socorro, para você ter uma ideia, eu achei na internet. Eu pensei: Onde pedalar de Mountain Bike? Porque São Paulo não tem lugar para pedalar de bicicleta de Mountain Bike. Dá para pedalar de Speed, que são essas bicicletas de corrida. Mountain Bike não havia.

Na verdade, veio Socorro e veio Brotas. Eu estava de férias em São Paulo ainda trabalhava no banco. Não tinha nenhum projeto de vir morar aqui ou montar uma loja aqui. Nada disso. Bom, eu vim para cá porque brotas é muito longe. Era 140km de onde eu estava, era perto. Aí eu falei para minha esposa que se a gente gostasse ficava mais tempo, caso contrário voltava. Então, viemos. Ficamos hospedados na Floresta do Lago, na ocasião. No meio dessas férias, eu tinha uma viagem para o Sul e fomos para lá, só que que falei para minha esposa: vamos voltar essa última semana que nós temos livre! Ela concordou. Foi aí que eu trouxe a bike e comecei a conhecer as pessoas de Socorro, a fazer amizades. Comecei a vir todo final de semana.

 

SNC: É um perigo aqui. Começa a fazer isso, não para mais de vir! (risos)

 

Marcos Viana: É, então! Cheguei nesse quintal aqui. Olha, eu eu já fui em vários lugares no mundo, no Brasil, mas pedalar aqui em Socorro eu nunca encontrei lugar mais legal. Eu falo que aqui é um parque de diversões para o Mountain Bike.

 

SNC: Tecnicamente falando?

 

Marcos Viana: Tecnicamente falando. Justamente porque para a pessoa que anda de mountain bike se surpreende de vir pedalar aqui.

 

SNC: O pessoal que vem aqui – que nós acompanhamos – fala bastante. Ficam impressionados… Bem, você estava falando antes de um projeto para a cidade

 

Marcos Viana: Sim. Nós estamos com um projeto, inclusive a Prefeitura está participando, algumas pessoas-chave para o projeto estão envolvidas. Nós queremos tornar Socorro  a capital sul-americana do Mountain Bike

 

SNC: Nossa! Então o projeto é grande?!

 

bikes

Marcos Viana: Sim, o projeto é grande. Já demos início a ele. Estamos trabalhando nele e nós vamos conquistar esse
objetivo! Estamos contando com a ajuda do Prefeito, com a ajuda da Secretaria de Turismo e de Esporte de Aventura. Todos estão engajados para tornar Socorro a capital sul-americana de Mountain Bike. Então, quando nós falarmos em Mountain Bike, teremos como referencia Socorro.

 

SNC: E já tem toda a Natureza para dar suporte, não é?

 

Marcos Viana: Então, é o que nós acabamos de conversar. É esse parque de diversões que é totalmente adequado para a prática do Mountain Bike.

 

SNC: Esse projeto precisa de mais apoio?

 

Marcos Viana: Nós já pegamos algumas empresas grandes, que já estão nos apoiando: a maior empresa de bicicletas no mundo – a specialized – está dentro do projeto. Semana passada tivemos a notícia de que a SW que é uma grande empresa na parte de equipamentos esportivos tanto para bikes quanto para motos. Ela vai estar nos ajudando também. Já temos algumas pessoas que já conhecem o projeto, sabem o “como’’ desenvolver isso. Pessoas do Marketing. Vamos contar com a ajuda de vocês também.

 

SNC: Ah, sim. Nossa equipe e Socorro vão abraçar o projeto.

 

Marcos Viana: Sim, porque o projeto principal é fazer com que a população comece a ter a prática do uso casual da bicicleta, uso diário da bicicleta. Tirar um pouco do trânsito, porque, por mais que se fale que não tem trânsito aqui, acaba tendo um pouco disso. Tirar aquela cultura de que o cara pega o carro para ir até a padaria, ir até o açougue.

 

SNC: Você até comentou que terão bicicletas para alugar…

Marcos Viana: Sim, terão bicicletas para alugar. Algumas, inclusive, estão aqui na loja. Nós vamos conseguir alugar essas bicicletas boas, para a pessoas não pensar “nossa, vou ter que andar nesse negócio aí”. São bicicletas top de linha, marcas conceituadas, freios hidráulicos. É uma ótima bicicleta feita justamente para a nossa região. Será super interessante. Este projeto nós já estamos pensando que em março do ano que vem (2016), implantar o primeiro trajeto com o cicloturismo envolvido, que vai contar toda a história dos roteiros. Nós teremos alguns roteiros. Eles serão temáticos. A pessoa vai chegar em determinado ponto, vai olhar no celular, mapa impresso ou GPS dela e vai saber a rota a seguir. Nós vamos ter alguns marcos, que são pequenas plaquinhas indicando o caminho ou a localização ou a posição geográfica.

 

SNC: Então, você vai fazer o mesmo trabalho que Socorro fez para receber os cadeirantes, só que para os ciclistas.

 

Marcos Viana: Sim , vamos receber o pessoal do cicloturismo.

 

SNC: Ah, e a sua história. Não sei se você acabou, acabei interrompendo você…

 

Marcos Viana: Então, eu vim para cá, conheci as pessoas. Comecei a vir a cada quinze dias, comprei um terreno. Falei: vou construir aqui! Sempre tive o sonho de morar no interior, sair daquela doideira daquela cidade. A cidade nos oferece inúmeras coisas, mas para viver já não consigo mais. Hoje já não quero voltar mais para São Paulo, para você ter ideia.

Aí, comecei com a loja pequena – você lembra muito bem – ficava aqui perto. Ficamos 1 ano e meio naquele local. Nós crescemos. Eu costumo focar bastante no atendimento, que eu gosto…

 

SNC: Que é o seu forte!

 

Marcos Viana: Eu gosto de vender um produto, oferecer um serviço para a pessoa do mesmo jeito que eu gostaria de receber. Então eu sei que eu não vou falar uma mentira para o cliente, não vou enganá-lo. Lógico! Nós precisamos do dinheiro! Nós temos contas para pagar, mas o dinheiro para mim é uma segunda opção. Eu falo para todo mundo isso e, às vezes, as pessoas não acreditam. Eu quero ver todo mundo pedalando. Eu gosto de ver as pessoas na cidade. Eu gosto de ver o sorriso de uma pessoa saindo daqui com um bicicleta nova…

 

SNC: Então é isso que motiva você? mc

 

Marcos Viana: É isso que me motiva para continuar o meu negócio, continuar os meus projetos.

 

SNC: A sua loja, eu percebi, que tem bicicletas para atletas top. E o pessoal mais comum? você tem opções também ou é só para atletas?

 

Marcos Viana: Sim, temos todas as opções. Tanto é que esses dias eu recebi um bilhete de uma pessoa muito simples. Ela veio aqui e eu a atendi do jeito que eu atendo todo mundo. Perguntei qual era problema da bicicleta dela, ela comentou comigo que havia comprado e eu expliquei para ela mais ou menos um pouco daquilo que ela comprou. Na semana seguinte, ela voltou e disse que ia deixar um bilhete, mas queria que eu lesse depois e foi embora correndo. Então eu abri o bilhete e vi que ela estava agradecendo o atendimento e fiquei super feliz, porque eu estou conseguindo mostrar o que eu quero.

 

SNC: Sim, eu vi no Facebook. É legal a pessoa pode fazer história, pode ajudar o povo. Isso, na questão financeira, ela acaba ganhando, porque ela está ajudando os outros, não é? E está fazendo o que gosta!

 

Marcos Viana: Sim, é isso que eu te falei! O dinheiro nós precisamos. É necessário hoje, mas o dinheiro, para mim, é em segundo plano. O meu primeiro plano é ver a felicidade e a alegria das pessoas. E todo tipo de pessoas! Não só os atletas ou pessoas que tem condições de comprar uma bicicleta. Uma bicicleta hoje não é barato. Mas aquela pessoa que vem aqui e está com algum problema, quebrou alguma coisa e nós sabemos que não é difícil de consertar. Não custa fazer…

 

SNC: O seu conhecimento é especializado. Então tanto o conserto para o atleta quanto para a pessoa comum é certeiro!

 

Marcos Viana: Sim…

 

SNC: E a sua família, gostou daqui?

 

Marcos Viana: Minha família foi um negócio meio assim. Quando eu comecei o projeto minha esposa ficou bem marcosreceosa. É o que eu falei: tínhamos um salário super bom em São Paulo, trabalhávamos em empresas super boas. Tínhamos um determinado conforto, só que nós não vivíamos. Saíamos do trabalho e íamos para casa. Meu filho fica na internet ou no computador ou jogando videogame da hora que ele entrava em casa até a hora que ele saía de casa. Não podia sair na rua. Os amigos que ele tinha eram da escola e para ir até eles era difícil. Eu trabalhava nos finais de semana na loja e minha esposa gostava de ter os finais de semana para ela para fazer as coisas que ela gostava. Para eles foi um baque mais forte, para mim não porque eu já sabia o que eu queria e tonha um objetivo. Eu sou assim. Se eu tenho um objetivo, eu vou buscá-lo. Eu vou até o final para poder conquistar isso. Eles ficaram meio “assim” no começo. Então eu vim para Socorro e minha esposa morou lá 6 meses ainda antes de vir. Ela não veio comigo. E nessa transição ela acabou ficando doente. Então eu fiquei preocupado com a abertura da loja, de estar morando sozinho pois é uma coisa que eu nunca tinha feito. Tive que lavar minha roupa, fazer minha comida e eram coisas que eu não estava acostumado. Aí minha esposa depois de 6 meses veio definitivamente. Meu filho ficou meio “assim” porque mudou de escola, perdeu os amigos e os únicos amigos que tinha eram os da escola e aqui ele não “se encontrou” nos primeiros 5 meses. A partir do 6 mês prece que virou uma chave. Agora o esquema com ele é outro. Ele pega bicicleta vai sozinho onde ele quiser. À noite ele vai no cinema e faz o que ele quer. É bem diferente.

 

SNC: Adorei sua entrevista! Você explica muito e realmente atende muito bem. Quero dar os parabéns para você pelo projeto e nós vamos apoiar você.

 

Marcos Viana: Obrigado! Se Deus quiser vai dar tudo certo.

 

SNC: Muito obrigado por vocês estarem lendo esta entrevista e até mais.

 

Marcos Viana: Obrigado.

 

Esta entrevista foi realizada em Dezembro de 2015, na Loja Adventure Bikers.